20 de Junho de 2019, 13:29

Biocuriosidades10/05/2013

Você conhece alguma samambaia aquática?

As pteridófitas são plantas vasculares com ausência de flores, frutos e sementes, as mais conhecidas são popularmente denominadas de samambaias. Apresentam ciclo de vida com duas fases (esporofítica e gametofítica).

O esporófito é a planta mais evidente, é vascularizada tem xilema e floema como as plantas com flores e também é a planta formadora de esporos, como as briófitas. O gametófito, a planta menos conhecida, tem aparência e proporção de briófita e forma gametas.

Atualmente, estima-se que existam entre 12.000 a 15.000 espécies de pteridófitas no mundo.

Uma pteridófita bem interessante, e que em nada se parece com uma típica samambaia é a espécie aquática Regnellidium diphyllum, o formato de suas folhas lembra uma gravata borboleta. Possui caule rastejante que se fixa ao substrato e folhas flutuantes formadas por dois folíolos arredodados, o tamanho do pecíolo varia conforme a altura da lâmina d'água, podendo chegar a 20 cm de comprimento. Representa a única pteridófita conhecida que possui látex em seu esporófito, também, é endêmica do sul da América do Sul, tem sua ocorrência restrita a região sul do Brasil e Corrientes na Argentina. Devido à destruição crescente de seu hábitat (banhados e corpos d'água) e seu grau de endemismo, foi incluída na lista das Espécies Ameaçadas de Extinção do Rio Grande do Sul na categoria vulnerável. O látex é um líquido, geralmente, de aparência leitosa presente em algumas plantas, principalmente, em representantes das famílias Apocynaceae (p.ex. jasmim-catavento), Euphorbiaceae (p.ex. coroa-de-cristo e seringueira) e Moraceae (figueiras), e serve para proteção da planta.

Rosana Senna

Seção de Botânica - MCN/FZBRS

 

O que são cianobactérias e por que às vezes são um problema?

Cianobactérias, também conhecidas como algas azuis ou cianofíceas, são seres bastante primitivos, constituindo-se nos primeiros organismos produtores de oxigênio, com documentos fósseis de sua existência há cerca de 3,5 bilhões de anos. Com estrutura celular muito simples (procariontes), apresentam, ao mesmo tempo, características de bactérias e de algas, por isso, atualmente, são chamadas de cianobactérias.

Em condições normais, as cianobactérias e os demais organismos aquáticos convivem de modo equilibrado. No entanto, quando há algum tipo de poluente que enriqueça a água com nitrogênio e fósforo - a chamada eutrofização - o ambiente torna-se propício à multiplicação excessiva de cianobactérias, dando origem ao fenômeno chamado “floração das águas”. Pelo potencial de produção de toxinas de certas espécies, este fenômeno é responsável por problemas sanitários que, além da toxicidade, conferem odor e sabor de terra ou mofo às águas. Estas florações normalmente tornam as águas esverdeadas ou amareladas, formando manchas na superfície devido ao elevado número de indivíduos.

As cianobactérias podem produzir neurotoxinas que atuam no sistema nervoso central, inibindo a transmissão de impulsos à musculatura, provocando a morte por parada respiratória, hepatotoxinas que causam intoxicações, morte por hemorragia do fígado e dermatotoxinas, irritante ao contato.

Intoxicações, mortandades de peixes e de outros animais, inclusive de humanos, causadas por cianotoxinas têm sido registradas no mundo inteiro.

Cerca de 40 cianobactérias são referidas como potencialmente tóxicas, dentre estas, 14 já foram registradas em florações, inclusive tóxicas, em diversos corpos d'água do Rio Grande do Sul. Cylindrospermopsis raciborskii, Microcystis spp., Anabaena crassa e Planktothrix isothrix estão entre as espécies que merecem destaque pela alta freqüência de ocorrência. Cabe ressaltar que, florações de Planktothrix isothrix foram responsáveis pela coloração esverdeada ostentada pelo lago Guaíba e pelo sabor e odor de terra de suas águas em verões passados.

Vera Regina Werner

Seção de Botânica - MCN/FZBRS 

 

 

O Brasil é o país com o maior número de espécies de anfíbios do mundo!

Existem em nosso país quase mil espécies de anfíbios (no mundo são cerca de 7 mil) conferindo ao Brasil destaque internacional. Só no Rio Grande do Sul podemos encontrar mais espécies de anfíbios que na Europa inteira. É na Mata Atlântica onde encontramos a maior diversidade de espécies do Brasil. Sessenta por cento das espécies de anfíbios brasileiras vivem nesta importante floresta e nos seus ecossistemas associados.

Apesar destes números expressivos, muitas espécies de anfíbios do Brasil encontram-se seriamente ameaçadas de extinção por uma série de impactos provenientes de atividades humanas descontroladas. Além desses impactos a falta de conhecimento sobre boa parte dessa diversidade de espécies é um limitante para que ações eficazes de planejamento ambiental e conservação sejam elaboradas para proteção desses animais tão importantes para o equilíbrio da vida na Terra.

 

Patrick Colombo

Setor de Anfíbios, Seção de Zoologia de Vertebrados – MCN/FZBRS

 

Evento de dispersão familiar...ou“sigam-me os bons”!

Fato curioso e raramente observado de dispersão de caranguejeiras foi registrado por integrantes do Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre no dia 12 de abril de 2015, no interior do município de Santa Maria do Herval, RS, mais especificamente no vale do Rio Loch. Trata-se de um evento interessante, protagonizado neste caso por juvenis de aranhas do gênero Grammostola. Tal comportamento, embora comum e bem conhecido entre os aracnólogos, raras vezes foi documentado, pois é uma questão de se estar no local certo na hora certa.

Normalmente após as duas primeiras mudas (trocas de pele), que as aranhinhas realizam ainda na presença materna e no abrigo onde nasceram, os juvenis de algumas espécies de caranguejeiras da família Theraphosidae saem em busca de uma vida independente. Nesse processo, podem formar longas filas contendo mais de uma centena de pequenas aranhas que se dispersam em fila indiana, por vezes em uma linha muito reta, numa espécie de correição, como fazem as formigas. Acredita-se que cada indivíduo siga os fios de seda deixados pelos que vão à frente, utilizando percepção química e/ou mecânica.

Os motivos que levam a este comportamento não estão completamente esclarecidos e informações sobre qual a distância e por quanto tempo os irmãos seguem o líder da fila são ainda perguntas sem resposta clara. As grandes caranguejeiras do gênero Grammostola são muito abundantes na região onde o fato foi documentado. Essas aranhas são seres solitários na fase adulta e uma agregação para dispersão, no início da fase juvenil, é um evento bastante interessante. Valeu o flagrante de mais um fantástico fato da nossa mãe natureza!

Ricardo Ott, Setor de Aracnologia do Museu de Ciências Naturais

 

Fotos Glayson A. Bencke e Jefferson Silva

 

 

 

 

 

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